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Entrevista 2 - Profª. Drª. Cláudia Arantes

Atualizado: 13 de jun. de 2021

Nos dias 8, 9 e 10 de junho foram realizados o I Congresso Internacional COMERTEC e o IV COMERTEC Jr pelo Grupo de Pesquisa Comunicação, Mercado e Tecnologia (COMERTEC), vinculado ao curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP). Na ocasião, foi realizado o lançamento do “Geração Streaming: Novas formas de comunicação”, primeiro e-book publicado pela Editora Emeritus. Compartilhamos a entrevista realizada com a Profª. Drª. Cláudia Arantes, docente do curso de Jornalismo da UNIFAP e líder do grupo de pesquisa Comertec.

A professora Cláudia Arantes foi uma das principais responsáveis pela organização das quatro edições do Congresso Comertec Jr., maior evento acadêmico de Comunicação do Amapá. O e-book inaugural da Editora Emeritus tem como base os melhores trabalhos apresentados no 3° Congresso Comertec Jr. e pode ser consultado gratuitamente em nosso site.

Na entrevista, Cláudia Arantes relata como é o processo para a criação de um grupo de pesquisa, descreve o cenário acadêmico em Comunicação no Amapá, explica o crescimento do Congresso Comertec Jr., além de abordar aspectos diretamente ligados ao e-book “Geração Streaming: Novas formas de comunicação”, publicado pela Editora Emeritus.

Profª. Drª. Cláudia Arantes

Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Mestre e Doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. Professora Adjunta do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá, ligada ao Departamento de Letras e Artes (DEPLA) da instituição e líder do Grupo de Pesquisa Comertec (Comunicação, Mercado e Tecnologia).


Grupo de Pesquisa Comertec

Emeritus: Como surgiu a ideia de criar o Grupo de Pesquisa Comertec?


Profª Drª. Cláudia Arantes: A ideia surgiu em decorrência da minha participação em outro Grupo de Pesquisa. Em 2012, quando estava no início do meu Doutorado em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, eu entrei no Tecccog (Tecnologia, Comunicação e Ciência Cognitiva), à época liderado pelo Prof. Dr. Walter Teixeira Lima Junior, e achei interessante o funcionamento do grupo, as ações que eram feitas internamente, mas eu queria um outro grupo, com outra vertente.

Então, em 2013, em uma conversa com o professor Jefferson Saar, surgiu a ideia de montar um grupo que agregasse a tríade: Comunicação, Mercado e Tecnologia. Essa tríade, então, abarcaria o que nós gostaríamos de pesquisar, como nós trabalharíamos. E surgiu a ideia de formar um grupo jovem, com pesquisadores que já tivessem uma titulação elevada, em sua maioria, mas com uma faixa etária um pouco mais baixa, que é a composição do grupo atual.

O grupo foi oficialmente criado em 2013, quando foi certificado pela instituição e passou a constar no “Diretório de Grupos de Pesquisas no Brasil” da plataforma Lattes (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/0503015349349071). Atualmente, o grupo é liderado por mim [Profª Drª. Cláudia Arantes] e pelo Prof. Dr. Jefferson Saar.

O processo para criar o grupo não foi burocrático nem demorado. Você precisa estar vinculado a uma universidade, preencher uma ficha interna da Instituição de Ensino, solicitar a criação do grupo na plataforma CNPq e, a partir daí, consegue-se um login e senha para preencher o cadastro e obter o registro na plataforma.

Então, no nosso caso, o Comertec está vinculado à Unifap, mas está ligado, também, ao líder do grupo de pesquisa. Hipoteticamente, digamos que eu mude de uma Instituição de Ensino Superior para outra universidade federal. Eu posso solicitar que o grupo siga comigo para outra universidade. Há essa possibilidade de migração.

Emeritus: Você disse que o Comertec é composto por pessoas mais jovens. Por priorizar uma faixa etária não tão elevada, você entende, então, que iniciar o quanto antes a participação em grupos de pesquisa pode ser um diferencial para o jovem pesquisador?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Sim. Participar o quanto antes de um Grupo de Pesquisa, se possível até na Graduação, durante uma iniciação científica, por exemplo, é muito importante.

Eu só comecei a ter essa experiência de participação mais intensa em um Grupo de Pesquisa no Doutorado e percebi que nesses grupos você consegue ter contato com outras pessoas, outras ideias, possibilidades de parcerias, editais. Você, inclusive, começa a entender melhor a importância das publicações para a formação de um currículo Lattes mais forte, que vai ajudar até no processo seletivo de algum concurso ou na sua entrada no Mestrado e Doutorado. Se eu tivesse a oportunidade, teria participado mais cedo.

Quando você está fora de um grupo, muitas vezes você não tem o conhecimento ou o ânimo para submeter tantos artigos para avaliação de revistas e livros. Então, essa participação nos grupos de pesquisa acaba sendo fundamental.

Emeritus: E como funciona a dinâmica do grupo? Que tipos de atividades são realizados?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Como o grupo é cadastro no CNPq do Diretório da Unifap, os projetos de pesquisa dos professores que participam do grupo de pesquisa podem ser vinculados ao Comertec.

Então, nós temos, por exemplo, o meu projeto de pesquisa, que se chamava “Olhar 360: narrativas transmidiáticas”. Ele é vinculado ao grupo de pesquisa. Aí eu desenvolvo o meu projeto com professores daqui (Amapá). Mas como é uma pesquisa própria como professora da Universidade Federal do Amapá, eu desenvolvo exclusivamente com professores daqui. Há casos em que são desenvolvidos projetos com professores e membros do grupo de outros Estados brasileiros e até do exterior.

Outro professor do grupo, que é o Prof. Dr. Paulo Giraldi, por exemplo, tem um projeto de pesquisa que está diretamente ligado ao Comertec. E funciona mais ou menos como o meu, que são professores daqui que atuam no projeto.

Nós pretendemos, também, no longo prazo, concorrer em grandes editais, com projetos únicos, reunindo todos os integrantes do grupo de pesquisa. Porém, essa não é nossa realidade para o momento. O único edital que nós costumamos concorrer é para eventos. Dessa maneira, conseguimos conquistar verbas de agências de fomento para promover anualmente o Congresso Comertec Jr.

Outra possibilidade que buscamos é uma parceria com o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para desenvolver pesquisas sobre Comunicação, Mercado e Tecnologia. Ainda não assinamos o Termo de Cooperação, mas já realizamos algumas atividades em conjunto, como o próprio Congresso Comertec Jr. de 2019, na sede do SEBRAE.

Após a assinatura do Termo de Cooperação, nós pretendemos ampliar as oportunidades, uma vez que ele não vai valer apenas para os professores do Amapá. Pode gerar uma conjuntura favorável para todos do grupo, sejam esses pesquisadores do Amapá, de outros Estados brasileiros ou de outros países. Vamos supor que um pesquisador de São Paulo, que faz parte do grupo, queira fazer uma pesquisa sobre algo específico do Amapá. Ele pode desenvolver a pesquisa em parceria com os membros daqui (Unifap) e essa parceria vai possibilitar que o SEBRAE pague as passagens aéreas e a estadia desse pesquisador de São Paulo para apresentar o estudo em algum Congresso nacional ou internacional. Esses recursos serão muito importantes para um intercâmbio ainda maior com pesquisadores de fora da região Norte.

E há mais uma iniciativa de longo prazo que parte do grupo de pesquisa, mas envolve a Universidade como um todo, que é o desenvolvimento de Mestrado em Comunicação da Unifap. Como quase todos – não são todos, mas quase todos – os membros do Colegiado de Jornalismo fazem parte do Comertec, muitas das disciplinas que nós pretendemos elaborar para esse possível futuro Mestrado teriam relação com a temática do grupo de pesquisa. No entanto, a vinculação dessa Pós-Graduação Stricto Sensu não seria com o Comertec, mas com a Unifap, preferencialmente com o Departamento de Letras e Artes (DEPLA).

Porém, é preciso ter uma noção clara de que o Mestrado é um projeto de longo prazo, talvez um futuro bem distante, porque ao mesmo tempo em que temos interesse de ter um Mestrado em Comunicação aqui, até para dar a oportunidade de mais alunos da Graduação poderem frequentar um curso de Pós-Graduação Stricto Sensu na região, a realidade atual é muito complicada do ponto de vista do professor. Não há bolsas de pesquisa disponíveis, o incentivo para atuar simultaneamente no Mestrado e na Graduação financeiramente não é dos melhores. Então, é um projeto que vai depender de um momento bem favorável, com um corpo docente que esteja bem engajado e com quantidade suficiente para dar suporte aos futuros alunos, para o projeto funcionar. A estrutura física e da equipe do Mestrado terá que ser fortalecida nos próximos anos para que o curso seja forte e gere bons resultados.

Emeritus: Aproveitando que falamos do Amapá, como é o cenário dos grupos de pesquisa na região? São muitos grupos de pesquisa na área de Comunicação?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Dentro da Universidade Federal do Amapá e até no Estado, o Comertec é o único grupo de pesquisa ativo em Comunicação. Até existe outro grupo na região, que se chama CUCAS (Cultura, Comunicação, Arte e Sociedade), mas a Professora Isabel Augusto foi participar da cooperação técnica na UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e, por isso, o grupo não está em atividade no momento. Ou seja, é um cenário bem restrito para grupos de pesquisa em Comunicação.

Congresso Comertec Jr.

Emeritus: Falando especificamente sobre o Congresso Comertec Jr., que vocês organizam anualmente, gostaria de saber como surgiu a ideia de realizar o evento pela primeira vez. Foi logo depois que o grupo de pesquisa foi oficializado, em 2013, ou passaram-se alguns anos para surgir a ideia?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Na verdade, passaram-se alguns anos até o evento ocorrer. Já havia a ideia de ter algumas atividades presenciais, mas, quando o grupo de pesquisa Comertec surgiu oficialmente, em 2013, eu estava no Doutorado. Então, eu estava morando em São Bernardo do Campo e o evento, por ser presencial, e ligado à Unifap, deveria ocorrer no Amapá.

Em 2016, quando eu voltei para o Amapá, eu conheci outros professores que já tinham tomado posse no concurso. Um deles, o professor Paulo Giraldi, que estava bastante motivado em entrar no grupo de pesquisa e propôs fazer mais atividades voltadas para os alunos, porque não tinham muitas atividades assim. Antigamente, o colegiado tinha um evento que se chamava Conju (Congresso de Jornalismo da Unifap), mas com o tempo, sem verbas, esse Congresso foi perdendo força, até que acabou.

Então, o professor Paulo Giraldi sugeriu formar esse evento para os alunos, porque já havia uma demanda de muitos artigos científicos, solicitados pelos professores como atividades para as disciplinas. E esses artigos acabavam ficando “escondidos”, sem divulgação, porque os alunos não conseguiam frequentar eventos nacionais, especialmente pela distância em que os principais congressos brasileiros de Comunicação ocorrerm.

Se você olhar no mapa, o Amapá é cercado por rios. Então, basicamente, ou você sai daqui [Amapá] de barco ou de avião, o que, especialmente para um aluno de Graduação, costuma ser muito caro e demandar muito tempo. Então, nós criamos esse evento, o Comertec, para publicizar, para dar a oportunidade de que esses trabalhos tenham mais visibilidade. Além, obviamente, de aumentarmos a discussão entre os alunos, de podermos convidar palestrantes externos que disseminem uma nova visão de Comunicação para eles, ou seja, trazer ideias diferentes das que já são apresentadas nas salas de aula aqui da Unifap. Fazer até que esses alunos se sentissem mais valorizados e mostrassem o valor que eles têm academicamente.

O primeiro Comertec Jr., por exemplo, foi organizado apenas pelo Prof. Dr. Paulo Girali e por mim [Profª. Dr. Cláudia Arantes], sem recursos externos e utilizando uma pequena parte da estrutura da Unifap. Nós fizemos os GT’s (Grupos de Trabalho), convidamos jornalistas da região para oferecer quatro oficinais e, apesar de ter sido o primeiro evento, ele foi um sucesso muito grande, considerando os parâmetros do cenário local. Então, nós percebemos que havia como o evento crescer ainda mais. Como os artigos do primeiro congresso estavam muito bons, nós decidimos fazer um e-book. E essa ideia do e-book ficou para os outros eventos.

Emeritus: Quantas edições já foram realizadas? E quais temas foram abordados em cada edição do evento? Como vocês definiram o tema de cada ano do Comertec Jr.


Profª Drª. Cláudia Arantes: Até agora foram três edições do Comertec Jr. Desde a primeira edição, conseguimos fazer o evento todos os anos ininterruptamente.

A primeira edição foi em 2017, que teve como tema o próprio nome do grupo: “Comunicação, Mercado e Tecnologia”, até porque a ideia ainda era bem recente, era uma fase de testes, em que nós queríamos refletir sobre as ideias do Comertec, de como poderíamos fortalecer o grupo de pesquisa. Queríamos saber se o evento seria bem recebido pelos alunos, se muitos mandariam artigos científicos, como seria a participação, entre outras respostas que tínhamos naquele momento.

A segunda edição foi em 2018, e aí já havia uma equipe mais estruturada para desenvolver o evento. Então, fizemos uma reunião para decidir qual seria o tema mais indicado. Como era ano de eleição, o Estado do Amapá fica parado, porque existe muito cargo político na região. Como não há indústria, a política aqui é muito forte. Nesse sentido, o tema definido para a segunda edição do evento foi: “Os desafios da Comunicação em ano eleitoral”.

E o terceiro evento, que aconteceu no ano passado, em 2019, após reunião com a equipe responsável, teve definido como tema: “Comunicação, Convergência e Novos Mercados”.

Para este ano (2020), ainda não foi definido o tema do evento, especialmente por essa questão atual do coronavírus [entrevista realizada por Skype em março de 2020], que alterou todo o nosso cronograma. Pelas discussões que tivemos até o momento, havia uma tendência de adotar o tema “Comunicação e Meio Ambiente”. Porém, talvez esse tema possa ser alterado de acordo com o cenário do momento. Como o tema é definido apenas com o núcleo de pesquisadores do Amapá, geralmente a temática tem uma relação mais forte com a realidade do momento aqui da região.

Emeritus: E esses temas geralmente norteiam o convite para todos os palestrantes que irão falar e todos os Grupos de Trabalho? Qual é a estrutura/grade do evento? Ela é fixa ou sempre muda?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Nosso evento sempre tem a seguinte estrutura: palestra, oficina ou minicurso (geralmente quatro oficinas ou quatro minicursos) e os GT’s (Grupos de Trabalho), que tem sempre as mesmas três linhas: GT 1 - Mídias Alternativas e Novas Práticas Jornalísticas; GT 2: Jornalismo, Tecnologia e Convergência; e GT3 – Análise de Mídia, Gestão e Estratégias Comunicacionais.

Os três GT’s possuem temas fixos, que não têm relação com a temática principal do evento. Ou seja, o tema de cada evento norteia basicamente a palestra principal do evento. Basicamente, o palestrante convidado tem que ter alguma ligação mais forte com o tema do Congresso Comertec Jr.

Por exemplo, no ano de 2018, que teve como tema o período eleitoral, nós conseguimos trazer pessoas de Comunicação que tratam do tema, assim como profissionais do Tribunal Regional Eleitoral, entre outros envolvidos com o tema.

Além disso, trazemos depoimentos e palestras por meio de vídeos e videoconferências. Dessa maneira, conseguimos palestras muito interessantes, de pessoas de várias regiões do Brasil e até de outros países. Como até ano passado nós não tínhamos uma verba considerável para o evento, essa questão do vídeo facilitava bastante para ter opiniões diferentes, de fora do Amapá, sobre o tema principal de cada Congresso.

Obviamente, é interessante quando recebemos artigos com a temática do evento, mas como os Grupos de Trabalho são fixos, a relação principal é com o tema de cada GT e não necessariamente com o tema do evento.

Emeritus: Você disse que as verbas eram restritas para a realização do evento. Diante dessa restrição orçamentária, como é a estrutura física do evento? Ele é realizado sempre no mesmo espaço físico? É feito na própria Unifap?


Profª Drª. Cláudia Arantes: O evento não tem um local fixo para ser realizado. Depende da demanda e da disponibilidade no ano em que o evento é realizado. O nosso primeiro Congresso, em 2017, foi realizado no prédio da Rádio Universitária da Unifap, em que o acesso é facilitado e as salas não são tão grandes. Como naquele primeiro ano o evento era um teste, com menos inscritos para apresentação de trabalhos, foi possível realizar lá, com uma estrutura menor. Mas como o público foi relativamente grande, tivemos que ampliar a estrutura nas outras edições.

No segundo Congresso Comertec Jr., em 2018, já sabendo que a procura do primeiro foi maior do que esperávamos, nós reservamos um espaço no prédio em que fica o Departamento de Comunicação da Unifap, com um auditório que tem capacidade muito maior, e os GT’s ainda continuaram divididos com algumas salas ainda no prédio da Rádio Universitária. Essa divisão ocorrendo de acordo com a demanda.

O terceiro Congresso, em 2019, já mudou bastante, pois fechamos uma parceria com o SEBRAE. Dessa maneira, aprimoramos o nosso evento, desenvolvendo novas atividades.

Nós iniciamos, por exemplo, o StartCom, que é uma metodologia de criação de startups. Nesse caso do StartCom, os “pitches” [apresentações verbais que resumem um projeto, ideia ou negócio] dos alunos foram excelentes e, com isso, tendo como mentores dois donos de startups, conseguimos 10 vagas de estágio para os estudantes: 5 para uma startup e 5 para outra. Também foram realizados outros prêmios e Empretec’s [de acordo com o site do SEBRAE, Empretec é um “programa que proporciona o amadurecimento de características empreendedoras, melhorando a competitividade e as chances de permanência no mercado”].

Além disso, nós criamos o ComerCom, que é uma modalidade de premiação dos melhores trabalhos. Lembrando que essa premiação e todas essas atividades não são só para alunos da Universidade Federal do Amapá. O Congresso é aberto para alunos de toda a região, com forte presença, inclusive, de alunos da Faculdade Estácio de Macapá, que é outra Instituição de Ensino da região que possui curso de Comunicação (Jornalismo e Publicidade). Nós recebemos inscrições de alunos até de outras áreas, como da Engenharia, da Psicologia, porque o Congresso se tornou um grande momento para a troca de conhecimentos aqui no Amapá.

Então, nesse terceiro evento, nós tivemos uma estrutura muito diferente, ao realizar o Congresso na sede do SEBRAE. Dessa forma, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas trouxe mentores de outros estados, como o Acre, que é o polo tecnológico da região Norte, para desenvolver atividades no evento do Amapá. Trouxe, inclusive, o Antônio Fáscio, sócio-fundador da Orçafascio, diretamente de São Paulo. A estrutura do SEBRAE foi impecável. Foram disponibilizadas salas de outro pavilhão para realizar os GT’s. Então, podemos dizer que todo o evento, que é acadêmico, foi abraçado pelo SEBRAE e tudo aconteceu lá, com uma organização excelente.

Eu posso dizer que, ao longo dos anos, nós fomos sentindo um aumento de inscritos e de participantes no evento, começando com pouco mais de 50 pessoas no primeiro evento, passando para aproximadamente 150 pessoas no segundo evento, até chegar em cerca de 350 pessoas no terceiro Congresso Comertec Jr. A expectativa é ter uma adesão voluntária cada vez maior por parte dos alunos.

Emeritus: Além de fortalecer o interesse por atividades acadêmicas, a participação de estudantes no evento gera algum tipo de benefício para o graduando, como atividades complementares? Ou seja, há algum incentivo adicional para engajar ainda mais o estudante a participar do evento?


Profª Drª. Cláudia Arantes: A participação no Congresso Comertec Jr. conta, sim, para a carga necessária de atividades complementares. Além disso, os alunos que fazem parte da Comissão Discente recebem certificado como Organizadores do Congresso Comertec Jr., não como Comissão Discente, até para motivar a participação, aumentar o engajamento e oferecer um incremento para o currículo desses jovens que fizeram um esforço extra para participar dessas atividades.

Então, até pelo que falei das dificuldades financeiras e geográficas que possuímos, os alunos da região quase não saem daqui, a participação no evento tem uma importância muito grande. É a oportunidade de ter contato com palestrantes diferentes, temas pouco abordados durante as aulas, ter contato com pessoas de outras Instituições de Ensino, ou seja, saber que fora da Unifap existem opiniões e abordagens diferentes daquelas que eles estão acostumados.

E todo esse contato com perspectivas e pessoas diferentes aumentou o interesse dos alunos até em juntar dinheiro, por meio de crowdfunding (financiamento coletivo), venda de rifa, entre outras atividades, para ir a diversos eventos, no âmbito nacional, como o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).

Com uma sondagem interna dos alunos de Jornalismo da Unifap, nós identificamos que a partir do 5° semestre do curso, quase todos os alunos já têm a preocupação de ter um currículo Lattes, de registrar suas publicações etc. Então, aumentou esse interesse em desenvolver uma vida acadêmica mais ativa. Muitos que tinham interesse só no mercado de trabalho formal, dizem agora que desejam fazer Mestrado após a Graduação.

Ou seja, com o Comertec, nós conseguimos despertar no aluno essa motivação e demonstrar que eles são capazes de fazer atividades aqui na região, mas que não precisam ter um olhar apenas interno, que eles podem pensar em participar de debates nacionais, com temas ainda mais amplos no cenário da Comunicação.

E, por fim, mais um benefício que o aluno possui ao participar do Congresso é a possibilidade, caso esteja entre os melhores artigos do evento, de participar do e-book, que é publicado com uma coletânea dos melhores textos apresentados, com lançamento sempre na edição subsequente do Congresso Comertec Jr.

E-book “Geração Streaming: Novas formas de comunicação”

Emeritus: O livro digital de 2020 tem como base os artigos apresentados no III Comertec Jr. Ele aborda as novas formas de conexão e comunicação, passando especialmente pela Geração Streaming. Houve algum motivo especial para essa abordagem ou os alunos já têm uma tendência de abordar uma temática voltada para a tecnologia? Houve algum direcionamento dos professores ou foi algo natural?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Na verdade, a questão da tecnologia é muito forte todos os anos. Como eu leciono as disciplinas de tecnologia, existe um certo direcionamento, pois muitos alunos que participam do Congresso realizam a minha disciplina e acabam redigindo artigos ao final da matéria, porque é algo que eu solicito com frequência. Como o artigo já está pronto para a disciplina, eles optam por submeter o texto para o evento.

Além disso, na nossa grade do curso de Jornalismo, essas disciplinas de tecnologia acabam ficando mais para o final do curso, bem no público que costuma participar mais do evento, do 5° ou 6° semestre para frente. Então, de certa maneira, muitos dos trabalhos encaminhados para o Congresso Comertec Jr. acabam tendo esse viés tecnológico. O que muda bastante no evento são os artigos que chegam de outras universidades, que nem sempre seguem a mesma temática.

Emeritus: Você já tratou dos benefícios gerados para os estudantes da região ao participarem do Congresso Comertec Jr. E especificamente no caso do e-book, quais são os benefícios?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Assim como no evento, ao participar do e-book, o aluno acaba tendo uma produção para registrar no currículo Lattes, o que será uma grande vantagem ao participar de um processo seletivo de Mestrado ou concurso do ambiente acadêmico, por exemplo.

Eu, por exemplo, durante a Graduação, não cheguei nem perto de publicar um artigo científico ou um capítulo de livro em e-book. Isso era uma realidade muito distante para mim.

É uma prática que já está ficando mais disseminada. Logo, talvez, será algo mais comum e quem não tiver publicações possa levar até uma desvantagem. Porém, hoje em dia, ainda é um diferencial que pode ser aproveitado por esses estudantes.

Emeritus: Especificamente para o grupo de pesquisa Comertec, qual a importância do e-book?


Profª Drª. Cláudia Arantes: O e-book acaba sendo bem importante para dar visibilidade ao grupo de pesquisa. Por exemplo, como o e-book sempre é lançado no Congresso Comertec Jr. do ano subsequente, e geralmente há cobertura da imprensa durante o evento, nós aproveitamos para apresentar o livro para esses jornalistas e a obra oferece um respaldo maior para o Congresso. Mostra que o evento não acaba no presencial, mas gera frutos, como essa produção.

Além disso, os dois primeiros e-books foram feitos pela Editora da Universidade Federal do Amapá (Edunifap). Como ponto positivo, existia essa questão de ter uma divulgação facilitada no Amapá e da publicação sair no site da Unifap. Em contrapartida, mesmo com um técnico da editora muito competente, havia uma limitação de pessoal para desenvolver todas as obras daqui. Então, nós tínhamos que fazer toda a parte de revisão, ajustes, diagramação e encaminhávamos para a Edunifap somente a solicitação do ISBN.

Agora, fazendo com a Editora Emeritus, apesar de não ter esse componente da divulgação específica na região, nós ganhamos com o trabalho que vocês fazem, como os ajustes, que vocês sugeriram, além da diagramação, arte e ISBN. Tenho que destacar, também, que por ser uma editora de São Paulo, há uma vantagem de atingir novos públicos, ter uma visibilidade maior em outra região brasileira.

Então, diante de todo esse contexto, de maneira geral, na questão de importância do e-book para o grupo de pesquisa, talvez a visibilidade seja o maior ganho. Esse livro do Congresso Comertec Jr., apesar de ser basicamente formado por estudantes de Graduação, por ter toda essa divulgação durante o evento, com apoio da imprensa local, possivelmente tenha mais visibilidade até que o e-book só de Doutores, que também costumamos fazer no grupo de pesquisa. Esse último, com uma chamada de trabalhos totalmente separada, sem nenhuma relação com o evento.

Emeritus: Qual a principal contribuição que o livro digital pode proporcionar ao leitor?


Profª Drª. Cláudia Arantes: Apesar de ser líder do grupo de pesquisa, especificamente no caso do e-book, eu sempre opto por não participar diretamente da organização da obra, porque muitos estudantes que submetem artigos ao evento são orientados por mim. Para ninguém entender que a seleção dos textos que entram no livro ficaria comprometida, a organização sempre é feita por outros membros do Comertec.

De modo geral, o leitor vai encontrar textos sobre jornalismo e tecnologia, muitas vezes relacionando filmes ou séries para criar essa relação com o contexto tecnológico atual. É preciso entender que o livro passa muito a ideia do conteúdo que é desenvolvido no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá. Então, ele é um retrato do que é desenvolvido nas disciplinas da Unifap.

Os alunos que submetem os textos no Congresso Comertec Jr. geralmente seguem o conteúdo dado em sala de aula pelos professores. Esse é um dos motivos para nós não mudarmos os Grupos de Trabalho do evento. Os GT’s do evento seguem uma temática parecida com a que os professores costumam passar de conteúdo em sala de aula. Obviamente, cada professor se enquadra em uma ou mais desses Grupos de Trabalho.

Ou seja, os GT’s não são direcionados às disciplinas, mas a disciplina pode ser direcionada a um dos GT’s. E o livro é um retrato do conteúdo desses Grupos de Trabalho do Congresso: Mídias Alternativas e Novas Práticas Jornalísticas; Jornalismo, Tecnologia e Convergência; e Análise de Mídia, Gestão e Estratégias Comunicacionais.


O e-book “Geração Streaming: Novas formas de conexão e comunicação” já está disponível gratuitamente em nosso site. Acesse a obra.

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